segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Batman e Robim não eram gays

Foi na edição de 29 de maio de 1947 que o semanário Saturday Review of Literature, publicou um artigo explosivo sobre quadrinhos, acusando-os de serem “violentos e carregados de perversões sexuais”. Segundo seu argumento, 90% dos menores delinquentes em Nova York liam gibis; logo, eles eram responsáveis pela criminalidade. Começava a cruzada contra as histórias em quadrinhos liderada pelo psiquiatra do sistema judiciário Frederick Wertham.

Em 1948, Wertham lotou um ginásio com a palestra “A Psicopatologia das Histórias em Quadrinhos”. No fim do ano, a revista Time noticiava uma queima de revistinhas em algumas cidades norte americanas. Os alvos prediletos do psiquiatra eram Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman. Wertham, aliás, foi o primeiro a falar que o homem-morcego era gay. 

Em 1954, o psiquiatra escreveu sua obra mais conhecida, A Sedução dos Inocentes. Mais uma paulada nos quadrinhos. Dessa vez, chamou a atenção até do Congresso americano, que pressionou as editoras a criarem um código de ética, o Comics Code. Ele caiu em desuso só em 1971, por causa da pressão corajosa de Stan Lee – criador da Marvel Comics.

Em 1973, Wertham deixou todos estupefatos declarando-se fã dos quadrinhos que ele quase destruiu. Chegou a escrever um livro com elogios aos gibis e pedir desculpas pelas besteiras que escreveu, porém, o estrago criado por ele continua até os dias de hoje.

Portanto, se você afirma que Batman e Robim são um casal gay, provavelmente não conhecia esse momento histórico em que gibis eram a causa de todos os males da juventude. Atualmente, a bola da vez são os videogames. Se uma simples borboleta bater de asas e influenciar o curso natural das coisas, a culpa é dos games!


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