quarta-feira, 15 de maio de 2013

Do simples ao complexo - A lógica da produção

Sou da geração X, uma turma de velhotes que aprendeu diferente. Fomos os percursores da tecnologia que está por ai. As gerações Y e  Z, herdaram nossa técnica. A diferença é que atualmente os profissionais não tem paciência, o nível de concentração é baixo, falta preparo para interpretações, análises e busca de soluções.

Esta tudo pronto. É o que dizem. Isso tem gerado um comportamento estranho. Falta iniciativa, se fala muito e se faz pouco. Eu vejo uma geração muito crítica, que discute e opina o tempo todo, mas colabora pouco, não age, não faz.

Na arte, as coisas são um pouco diferente. Embora existam ferramentas que tornam o trabalho bem mais fácil, ainda é preciso ter conceito. Já ouvi alunos dizendo: "professor, não preciso mais estudar anatomia para ser desenhista, eu vou no posemaniacs". "Não preciso saber desenhar para ser arquiteto, só preciso aprender Cad".

Quem me conhece sabe que sou totalmente contrário a esses comentários. As grades curriculares das faculdades técnicas pecam em dar pouco espaço para conceito. Sabemos que o mercado é global, sobretudo na tecnologia,  como vamos competir com países de primeiro mundo?

Não estou afirmando que nossa geração é melhor ou pior que a atual. Acho que os jovens são fantásticos, me impressiono ao ver uma criança de 2 anos jogando videogame num smartphone.
Nossa educação precisa avançar muito para atender e melhorar a capacidade de nossos meninos e meninas prodígios.

No que diz respeito a arte digital, muitos pensam que o esboço não é necessário, que basta abrir um software de desenho, ou de modelagem 3d e "voilà!".  Estudar os conceitos é fundamental para quem que ser profissional. Forma, volume, proporção, perspectiva, teoria de cor são indispensáveis.
Já contratei profissionais muito bons em computação gráfica, mas que não sabiam compor uma cor em CMYK, não tinham nenhum conhecimento de tipografia e se diziam designers.



A lógica de produção parte de um ponto inicial, um esboço, uma linha, um rabisco. Olhem o exemplo de Oscar Niemeyer, um dos maiores gênios da arquiteura mundial. Ele não apertava um botão e sua obra nascia como mágica. Não há mágica na arte. Existe trabalho, conhecimento e dedicação.


Podem me chamar de professor perfeccionista, exigente ou chato. Eu sempre vou esperar mais resultado, mais determinação e vou explorar o máximo a capacidade de meus alunos e colegas de trabalho. Nós podemos mais, nós podemos muito.

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